sexta-feira, 13 de julho de 2018

Cidade Escola: Escola Integral no Caic



A primeira escola municipal em tempo integral de Alfenas já começou a funcionar. E a grande novidade é a utilização da metodologia do programa Cidade Escola em todas as atividades diárias desta escola. A nova proposta de educação integral começa por uma das escolas mais tradicionais da cidade, João Januário de Magalhães, conhecido como Caic, no bairro Vila Esperança.

Um projeto modelo, que pretende se estender por todas as escolas municipais de Alfenas.

A escolha de iniciar esta nova forma de educar pelo Caic tem explicação simples. Uma escola com quase 900 estudantes e que atende diversos bairros onde a vulnerabilidade social é marcante. E, evidente, pelo sucesso alcançado, até agora, com as atividades do Cidade Escola dentro do Caic para milhares de moradores desta região.



A prova de que o local escolhido foi correto se confirmou com o grande número de inscritos, 348 alunos. 

A primeira Escola Municipal em Tempo Integral de Alfenas começa com 120 alunos, crianças e jovens do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, mas, a meta, para breve, é atender todos os alunos desta escola e todas as outras da rede municipal. 

O critério de seleção também foi simples. 

“Os primeiros 120 foram selecionados pelo critério de absoluta necessidade, porque todos precisam de um cuidado e atenção maiores. Todos sabem que na região do Caic temos comunidades com problemas. Como a procura é grande, 3 faltas de um aluno, eliminam ele do programa, porque, quem precisa de verdade, não pode faltar”, afirma Cleber Binho, coordenador do Cidade Escola no Caic e região.



Diretora do Caic, Marli, recebendo mães e alunos
no primeiro dia da Escola Integral.
No dia 26 de junho, primeiro dia de funcionamento da escola, às 8 horas, a diretora Marli da Silveira, apresenta às mães e crianças, os integradores e os coordenadores da secretaria de educação, que serão responsáveis pelas atividades e todo o programa da escola integral. 

Animada, ela diz a todas: 

“Agora, eles entrarão para as atividades, 11h15 param para almoçar e fazer algum relaxamento, como assistir televisão, ir à biblioteca, e às 13 horas, serão levados para as salas de aulas regulares, ficando até às 17h15”.



Marli não estava apenas animada, mas emocionada com este momento histórico. Profissional experiente da educação alfenense, ela deve aposentar-se em breve. 

“Conheço o Caic desde sua fundação, em 1996. Meu cargo efetivo é de supervisora, saí por um período, para assumir a direção de uma outra escola, Fausto Monteiro, e voltei para meu cargo de supervisora em 2013. Agora, há 2 anos, sou a diretora da escola. Conheço muito bem os problemas da região do Caic. Trabalhei vários anos na escola Napoleão Sales, desde 1986. O fluxo é este, vem do Napoleão para o Caic. Conheço toda a região, centenas de famílias e crianças. É como se estivesse em casa, conheço suas dificuldades, os problemas dos bairros, as carências de todos. É uma nova experiência que nossas crianças precisam. O objetivo é eles, o sucesso deles, o bem-estar deles”.


Café da manhã, antes do início das atividades da Escola Integral
Hora de colocar, literalmente, a mão na massa e começar a trabalhar. São 60 crianças atendidas pela manhã e 60 no período da tarde. No almoço, as 120 se encontram. 

O sucesso do programa Cidade Escola, em funcionamento no Caic desde fevereiro de 2017, com dezenas de atividades esportivas e culturais, garantiu ainda mais o interesse de todas as crianças que começam a participar da Escola Integral.




Quem estuda de manhã na escola regular, faz atividades à tarde. E quem estuda à tarde, faz atividades pela manhã. 

Apesar de existirem dezenas de atividades do Cidade Escola no lugar, foram escolhidas algumas em que se pode trabalhar melhor questões pedagócicas. 

“Utilizaremos 3 integradores por período, 3 de manhã, 3 à tarde. As equipes da manhã e tarde são diferentes. Cada integrador terá um grupo de 20 alunos. A cada dia, novos integradores, para desenvolverem atividades diferentes. A única atividade que se repete, diariamente, é a ludicidade/monitoramento de leitura”, garantem os coordenadores do Cidade Escola Cléber Binho e Everton Biloka.



O menu de atividades da Escola Integral do Caic é repleto de opções. 

Dezenove integradores culturais trabalhando o dia inteiro pelas crianças. 

No turno da manhã: Artesanato (integradora Tatiane), Xadrez (Mikaela), Atividade Física (John Master), Ludicidade/Monitoramento de leitura (Marta e Renata), Libras (Marina), Karatê (Cecília), Contação de Histórias (Mayume), Balé (Arislaine), Jiu-Jitsu (Manoel) e Taekwondo (Bianca).





No turno da tarde: Ludicidade/Monitoramento de leitura (integradoras Jéssica e Angela), Libras (Marina), Artesanato (Cristiane), Ritmos/Dança (Neusa), Atividade Física (Thales e Natália), Educação Ambiental (Thainá) e Música/Percussão (Mikelino).

As atividades do Cidade Escola, dentro da Escola Integral do Caic, não funcionarão apenas como recreação ou entretenimento. Tudo referente às questões educativas e pedagógicas foi (e continua a ser) pensado e planejado com uma equipe da Secretaria de Educação e Cultura do município. Claudiele Pereira (apoio pedagógico), Tani Rose (secretaria de educação), além de duas coordenadoras pedagógicas, Kennia Oliveira e Wilma Moraes, uma para cada período do dia, ambas com a missão de também individualizar o atendimento para alguma criança que tenha essa necessidade e ainda direcionar o trabalho dos integradores do Cidade Escola. 



Cleber Binho, Everton Biloka,
Kennia (2ª, da direita para esquerda) e Claudiele.
“O potencial deste projeto de educação integral é que não trabalhamos somente os conceitos básicos de disciplinas. Às vezes, um menino tem dificuldades com matemática, mas é espetacular no esporte. Antes, isso não era trabalhado. Agora, ele terá uma aula de Hip-Hop ou vai cultivar uma horta, na atividade Educação Ambiental, fazer um artesanato, onde ele verá que as habilidades que pode ter são muito maiores que as dadas como ‘básicas’ em uma escola tradicional. E que ele tem que responder àquele estímulo. Por que apresentar uma matéria para um aluno e esperar dele sempre aquela resposta tradicional? Vamos sair deste tradicional. Estamos buscando atividades onde esse aluno seja o protagonista da educação. Não queremos que ele seja ‘depósito’. Esta é a proposta de uma educação integral, é protagonismo, ele despertar por si só suas habilidades, potencialidades. Não precisamos ser bons em Português e Matemática para ser uma pessoa maravilhosa e ter sucesso na vida. Muitas pessoas ficam nessa, de dizer para os jovens que eles tem que ser bons na escola. De repente, vemos que esse menino dá um show em outras atividades. Vamos deixar o aluno crescer, mostrar suas potencialidades”, garante Kennia Oliveira, coordenadora pedagógica.



Horta do Caic
As atividades do Cidade Escola, dentro da nova Escola Integral do Caic também servirão como forma de aprendizado. “Na horta que temos aqui, e que fará parte da atividade Educação Ambiental, por exemplo, um aluno que tenha dificuldade com matemática, contar, simplesmente, nesta hora, poderemos intervir, com essa atividade prazerosa, fazendo-o contar quantos pés de alfaces temos na horta. Ou ainda, o formato em que as verduras estão plantadas no canteiro, triângulo, quadrado, círculo”.

Em qualquer atividade, uma nova forma de aprender. “Aproveitaremos todos os momentos para que aprendam de maneira lúdica, prazerosa. No Hip-Hop, por exemplo, eles fazem estudos de letras de músicas. É neste momento que estamos trabalhando o português, a literatura, a questão das rimas. É muito interessante”, afirma Claudiele Pereira.



E existe ainda uma atividade inédita, exclusiva da Escola Integral do Caic. 

“Também teremos libras, linguagem dos sinais. Todas as escolas deveriam ensinar libras, seria um sonho, mas hoje em dia, para conseguirmos um intérprete é bastante complicado. E aqui teremos a disposição. Não é necessário termos uma criança ‘especial’ que precise aprender libras. Este aprendizado vai ajudar nossas crianças da Escola Integral a se integrarem e se relacionarem melhor com amigos fora da escola. Libras é a segunda língua oficial do Brasil, a primeira é o Português”, lembra Claudiele.









O sucesso do programa Cidade Escola, dentro do núcleo Caic, desde sua implantação há um ano e meio, está mudando a realidade de milhares de pessoas desta região de Alfenas. Com o início da Escola em Tempo Integral, as atividades do Cidade Escola ganharam ainda mais importância neste novo modelo de escola. Crianças que tinham algum déficit de aprendizado terão a chance, agora, de um novo caminho, para o presente e, principalmente, na perspectiva de um futuro melhor. “Os alunos que sempre estiveram atrás, estarão, agora, sempre na frente. A razão é simples. O que estimula o cérebro? O primeiro estímulo é a atividade física. A pessoa que faz atividade física aprende mais rápido, assimila mais rápido, tudo mais rápido. É uma ajuda muito grande para todos esses meninos e meninas que podem estar defasados, para estarem alcançando os mesmos níveis dos outros. A meta é trabalhar a autoestima. Os resultados já começaram a aparecer, porque estão todos eufóricos com o início das atividades do Cidade Escola no projeto da Escola Integral. Estão dizendo: ‘Nossa, estou na Escola Integral’, estão se valorizando, ou seja, isso já é um sinal de que a autoestima deles está se alterando”, afirma Claudiele.



O casamento do saber (pedagógico), com a prática e o convívio que os integradores e coordenadores do Cidade Escola possuem é a receita ideal para o sucesso da escola integral. 

“A primeira coisa que dissemos, como profissionais da educação, aos integradores do Cidade Escola, é que dessem muito amor e carinho para essas crianças. Que tragam esses meninos e meninas para eles, para o coração deles. Ajudar esses jovens a terem liberdade de falarem o que estão sentindo, o que estão pensando. Assim, eles trazendo isso para nós (educadores), vamos direcionar o trabalhar com eles. Queremos saber o que esses meninos pensam, o que sentem. Muitas vezes, por estarmos do lado de cá (como educadores), eles acabam se abrindo muito mais com os integradores que estão do ladinho deles, todos os dias, e ainda falam uma linguagem mais próxima a deles”, garante a coordenadora pedagógica Kennia.



Matheus Paccini, coordenador Cidade Escola e a
Secretaria de Educação e Cultura Tani Rosi,
na apresentação da Escola Integral no Caic
Os números do alcance do Cidade Escola impressionam com apenas um ano e meio de atuação do programa em Alfenas.

Nove mil alunos, 60 núcleos de atuação, 49 atividades esportivas e culturais, além de 200 integradores atuando ativamente todos os dias, em toda a cidade, com intervenções em praças, quadras e espaços abertos.

É com essa experiência diária, entre coordenação e integradores, que o Cidade Escola estará atuando dentro desta Escola Integral do Caic. “É o primeiro modelo que temos de uma escola nos moldes do programa Cidade Escola. Nossa proposta é a de uma escola integral que seja integrada, que a comunidade participe. Temos feitos conversas pontuais com pais e mães. Os alunos, no contra turno, não tem apenas atividades de cunho pedagógico, claro que há um acompanhamento pedagógico em todas as atividades, mas eles tem, prioritariamente, atividades prazerosas neste contra turno. São atividades culturais e esportivas.


Uma coordenadora pedagógica acompanha tudo, e reflete conosco, coordenação Cidade Escola e integradores, sobre diversos temas. Ou seja, é um primeiro molde, um piloto para implantação em outras escolas municipais onde também iremos inserir esse modelo integral do Cidade Escola.

Não temos um modelo pronto. É um modelo que pode ser adaptado conforme as necessidades, conforme o ensino e a aprendizagem necessitam.

Nossa Escola Integral no Caic, com metodologia Cidade Escola tem sido um sucesso. O melhor é ver a alegria das crianças e saber que a educação é um caminho sem volta para o bem, para o senso de pertencimento, para oportunidades mais brandas e saudáveis. É tudo para essa garotada”, afirma o coordenador geral do programa Cidade Escola, Matheus Paccini.



Com apenas uma semana de projeto, o novo modelo de escola integral, baseado no programa Cidade Escola, já tem resultados concretos e importantes.

Basta ver dois desenhos feitos em uma das atividades do Cidade Escola dentro da Escola Integral do Caic, onde crianças demonstram o sentimento que tem com a escola onde estudam.

Pode ser pouco, para muitos, uma criança escrever, “Eu amo minha escola”, em um desenho. Mas, quando sabemos que essa mesma criança, até pouco tempo atrás, não tinha sequer interesse pelo mesmo espaço de conhecimento, e, agora, é capaz de ter esse sentimento de pertencimento, tudo se torna mágico.



Desenho de aluno da Escola Integral,
com Biloka e Binho à esquerda.
Para os coordenadores do Cidade Escola, no núcleo Caic, o prazer é redobrado. 

Eles e dezenas de integradores envolvidos nas atividades do programa desde fevereiro de 2017, verem um aluno desenhá-los em uma das atividades da Escola Integral representa muito. 

Muito mais do que conquistas pessoais, por saberem que as crianças reconhecem seus trabalhos, fica o resultado claro, positivo, do trabalho desenvolvido por eles e todos os integradores do programa. 

“Na nova Escola Integral as crianças terão um aprendizado maior. Estarão sempre fazendo as atividades, se precisarem do reforço da escola, terão. Também terão muita atividade física, alimentação acompanhada por nutricionista. 



Já percebemos mudanças em várias crianças que estão participando da Escola Integral, principalmente, aquelas mais ‘encapetadas’. Hoje, já estão mais calmas, uma ou outra que ainda está ‘acelerada’, conversamos, trocamos ideias, chamamos o pai e a mãe para conversar, para poder trabalhar em cima daquele problema dela. 

Os desenhos que propus a eles fazerem sobre o que achavam da nova Escola Integral dizem tudo. 

Dizer que ama a escola, não é da boca para fora.












Qualquer um pode entrar aqui e perguntar a qualquer uma delas o que preferem, ficar na escola ou irem para suas casas, tenho certeza que responderão ficar na escola. A diferença agora é que estão felizes”, afirma Everton Biloka, um dos coordenadores do Cidade Escola no Caic.
 
Como afirma o coordenador geral do programa Cidade Escola, “A alegria é revolucionária”.

























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