quinta-feira, 5 de julho de 2018

Cidade Escola: Condomínios da Vida

Moradores Residencial Jardim das Alterosas

Entre os vários núcleos do programa Cidade Escola existem alguns de importância fundamental na vida das pessoas. Os quatro condomínios residenciais da cidade, construídos para população de baixa renda, sofreram com o descaso de antigas administrações que não se preocuparam em criar um ambiente social e cultural para seus moradores. Agora, um novo olhar sobre todas essas comunidades começa a revelar a força do Cidade Escola nestes espaços.



Residencial Jardim São Carlos (primeiro plano);
e Residencial Alfenas (ao fundo)
São condomínios quase do tamanho de uma pequena cidade, mais de 5 mil pessoas, divididas entre os Residenciais, Alfenas (15 prédios, 270 famílias), Jardim São Carlos (11 prédios, 194 famílias), Jardim das Alterosas (15 prédios, 240 famílias) e Vale do Sol (150 famílias).

Há 8 anos, o primeiro a ser construído em Alfenas foi o Jardim das Alterosas. Vale do Sol é mais novo, 4 anos e fica bem ao lado dele. Comum entre todos os residenciais da cidade, são problemas como discriminação e preconceito com os que ali vivem. Outra queixa entre todos é a falta de atividades que promovam a cidadania, cultura e lazer.



Residenciais Jd das Alterosas e Vale do Sol
Há quase um ano esta realidade começou a ser mudada com o início das atividades do Cidade Escola nos residenciais Alterosas e Vale do Sol.

Em um espaço que nada havia para se fazer, estão sendo feitas atividades como capoeira, canto coral, pintura em tecido, crochê, leitura (reforço escolar), dança (todo sábado 16hs, com o grupo Move Dance e, também, no Telecentro).





Ao lado da portaria, o espaço da nova cozinha comunitária
do Residencial Jd das Alterosas.
Também está sendo implantada uma cozinha e horta comunitárias. Qualquer morador terá direito a comer, tomar café, almoçar ou jantar, com alimentos cedidos pela prefeitura. Tudo será feito, como sempre funcionou por ali, pelos próprios moradores, em comunidade.

Em breve, outras conquistas, como a construção de um parque de diversão e uma quadra esportiva para crianças e jovens.

Atividades para crianças começarão também em breve, uma necessidade e pedido da comunidade, para que todas possam ter algo a fazer fora do horário escolar.



Sandra Bernardo, coordenadora do Cidade Escola
e crianças do Jd das Alterosas
É pouco, ainda, quando se entende a situação em que se encontrava essa comunidade.

“Quando chegamos aqui, estava tudo abandonado. A carência de crianças e adultos impressiona. Me assustou, é um mundo que até eu não conhecia, apesar da experiência que tenho com trabalhos sociais.

Não imaginava que iria encontrar tantos problemas sociais aqui. Quem vê de fora, não imagina os problemas que eles passavam.

Não fosse o prefeito Luizinho, a vida aqui nos condomínios continuaria a mesma coisa. Abandono total.

Nenhuma pessoa da elite olha para isso aqui com carinho”, afirma Sandra Bernardo, coordenadora do Cidade Escola nos condomínios.






Acostumados ao descaso público, moradores da comunidade sempre tiveram que se unir para conseguir o mínimo para uma boa convivência em grupo. A chegada do Cidade Escola também exigiu uma forma diferenciada de aproximação com os moradores. “Aqui, tudo é feito com o conhecimento e aval dos moradores. Agora, por exemplo, estamos organizando uma festa junina. Aqui, não podemos privilegiar nenhum grupo. Mesmo que não se falem entre eles, tenho de falar com todos. São várias lideranças comunitárias. O Cidade Escola entra exatamente nesta questão, conversar, negociar, articular com todos, o que querem e como querem. Às vezes, conversando com um desses líderes, percebo que ele não se fala com o outro, mas sempre dizem para qualquer ação do Cidade Escola: ‘Tamo junto’. E são pessoas com muita força aqui dentro. Desde que cheguei, aqui, estou fazendo um trabalho de ‘formiga’, batendo de porta em porta, conversando com cada morador, escutando sobre suas necessidades e desejos de atividades”, confirma Sandra Bernardo.



Mais fácil ainda entender o espírito de colaboração existente na comunidade com ações concretas.

“O espírito de colaboração entre a comunidade daqui é grande. Quando chamamos algum morador para colaborar com algum serviço que tem que ser feito para ajeitar nosso espaço, aparecem vários.

Na Páscoa, se juntaram, as próprias mães fizeram os ovos de páscoa, confeccionados com chocolates doados. Fizeram mil ovos de páscoa e mais uns 2 mil kits de chocolates”, relembra a coordenadora do Cidade Escola.




Carmelita e sua filha Yorraine, lutadora de 
Karatê e artesanato nas atividades do Cidade Escola.
Aos poucos, e juntos, a realidade dos Condomínios Jardim das Alterosas e Vale do Sol, começa a ser transformada.

Até mesmo a autoestima sobre o próprio lugar onde vivem está mudando.

“Aconteceu muita mudança. Nada era do jeito que é hoje. Era um lugar tumultuado, trazia vários tipos de problemas, agora, não, mudou muito, os jovens mudaram o comportamento. 





Atividade crochê, na entrada do Residencial Jd das Alterosas
Em poucos meses mudou muita coisa, até os visitantes que vem ao condomínio comentam com a gente que aqui não havia paz, e, agora, tudo está mudando.

Era muito barulho, som alto, em carro e apartamentos, as crianças não tinham controle para nada.

Hoje, estão mais calmas, tem mais liberdade para brincar. O salão comunitário é aberto a todos.

Todos os dias tem alguma atividade para quem quiser fazer. Tem aula de dança a noite, capoeira, hip-hop, crochê. Estamos sentindo uma paz enorme”.





O depoimento acima é de dona Carmelita, uma das moradoras da comunidade super envolvida em tudo que seja o bem-estar do condomínio. Conhece bem o lugar, apesar de viver apenas há 6 meses no lugar.

“Tenho dois irmãos que moram aqui desde o começo do condomínio. Quando a gente vinha visitá-los, percebia a bagunça que era. Mesmo como visitante, a gente sofria. Dizia para mim mesma: ‘Nunca, na minha vida, vou morar aqui’. Hoje, digo o contrário para as pessoas que não sabem o que estão perdendo por deixarem de morar aqui”.




A razão de mudanças tão rápidas? Dona Carmelita tem a resposta.

“Acho que os moradores estão vendo os próprios filhos mudarem de comportamento, buscando algo bom que é feito nas atividades do Cidade Escola e levando para suas casas.

Ainda há muita rejeição, preconceito, das pessoas de fora com as daqui.

Quem sabe, agora, com a entrada do Cidade Escola, isto mude. Pelo menos, agora, as crianças estão crescendo com alguma perspectiva diferente de vida”.




Os irmãos Rafael (esquerda) e Lucas:
Move Dance em ação social no Alterosas e Vale do Sol.
Juntar esforços, de dentro e fora da comunidade, sempre. Tão simples, mas o que poucos se propõe a fazer. Diferente de uma galera acostumada ao termo “solidariedade” e parceira do programa Cidade Escola.

Rafael, líder do Move Dance, um dos grupos de dança mais famosos do Brasil, começou a se envolver com a realidade da comunidade dos condomínios Alterosas e Vale do Sol há pouco tempo. Passaram a fazer o que sempre fizeram, como pode ser visto em reportagem sobre eles neste blog (http://cidadescolaalfenas.blogspot.com/2017/09/cidade-escola-e-move-dance-parceria-do.html ).

“Temos um trabalho social com as crianças daqui. Damos aula de dança aos sábados. Tentamos ajudar o pessoal em tudo. Não é só dançar, trazemos doações de roupas, cobertor, móveis, cesta básica, colchão, cama, brinquedos para as crianças”.



E como chegaram até o lugar? Quebrando a barreira do preconceito existente em muitas pessoas da cidade.

“Fomos chamados um dia pelo pessoal do Vale do Sol. Disseram que não tinham nada que costumamos utilizar em nossas apresentações públicas, palco, nada. Só havia uma caixa de som.

Perguntaram pra gente se dançaríamos mesmo assim. Claro que podemos, respondemos.

Foi emocionante a primeira apresentação, porque, quando chegamos, várias crianças começaram a chorar.

Diziam: ‘Nossa, não acredito que o Move Dance está aqui’.







Um menino começou a tremer só de nos ver, outra, abraçou a mãe e dizia: ‘É o Move Dance, eles estão aqui’, e começou a chorar. Se aproximaram, abraçavam a gente e choravam.

Não acreditavam que pudéssemos estar ali, para dançar só para eles.

Não acreditavam que daríamos aula só para eles. Pegamos um amor muito grande por todos eles”, relembra Rafael.

E o Move Dance, parceiro do programa Cidade Escola, foi muito além. “Estamos numa nova fase do grupo. Agora, a gente também compõe músicas próprias para dançar. O Brasil inteiro está dançando, já gravamos duas músicas. Gravamos, há duas semanas, um clipe que foi produzido aqui, no Jardim das Alterosas.



Está ‘bombando’ na internet, recebemos mais de 40 vídeos de galeras de todo o Brasil dançando nossa música. No dia da gravação do clipe, juntamos a molecada, pintamos as ruas. Era dia do aniversário do Gabriel, um jovem daqui, viemos comemorar o aniversário dele”.


                                                                            *******


Em outros dois condomínios da cidade, a história de dedicação e cuidado com os problemas das comunidades se repete. 

Nos residenciais Alfenas e São Carlos, Rose Cris, moradora e coordenadora do Cidade Escola no lugar, já está colhendo frutos do programa.


A história do Residencial Alfenas, conhecido na cidade como “Predinhos”, já foi contada por aqui (http://cidadescolaalfenas.blogspot.com/2017/03/ela-se-chama-rosemar-cristiane-rosa-ou.html ), mas, agora, o importante é retornar ao lugar e saber as mudanças ocorridas desde a implantação do programa na comunidade.



Residencial Alfenas (primeiro plano) e São Carlos (ao fundo)
A primeira delas é a ampliação das atividades, para outro condomínio existente no lugar, o Residencial Jardim São Carlos, bem ao lado do Alfenas.

O número de famílias moradoras nos dois espaços impressiona.

São 270 no Residencial Alfenas e 194 no Residencial São Carlos.






Com quase um ano e meio de atividades, a rotina de vida dos moradores do Residencial Alfenas começou a se transformar com as atividades diárias oferecidas pelo Cidade Escola como artesanato com recicláveis, desenho artístico, leitura, jogos educativos, fanfarra, cursos profissionalizantes, capoeira, dança de rua (Hip-Hop, Funk), violão e uma série de eventos e passeios, internos e externos (lazer na rua, recreação).






Atividade do Cidade Escola no Residencial São Carlos
Mas, um “problema” surgiu. “No começo, as crianças do outro condomínio, do Residencial Jardim São Carlos, tinham de vir para cá para fazer as atividades.

Chegou ao ponto de a gente não dar conta, de tanta criança que tínhamos. Chegamos a ter 30 crianças diariamente. Sem contar quando fazemos passeios, ir ao Museu da Unifal, no clube Náutico, quando chegamos a ter quase 60 crianças. 









Crianças dos Residenciais Alfenas e São Carlos
em visita ao museu da Unifal.
Eles gostam desses passeios, porque é uma experiência nova para eles, nunca foram a esses lugares, mesmo tão próximos do centro da cidade e de suas casas nos condomínios. 


Agora, por dia, são quase 70 pessoas participantes, entre crianças, jovens, adultos e idosos.










No salão comunitário, também temos computadores com internet a disposição para todos.

Quando não estão nos computadores, estão fazendo alguma atividade do programa”, afirma Rose Cris, coordenadora do núcleo no local.










Atividade no Residencial São Carlos
A ampliação das atividades do Cidade Escola para os dois residenciais tem explicação.

“No Jardim São Carlos são muitas crianças, antes, havia uma disputa com as crianças do Residencial Alfenas, porque as daqui, não gostavam que eles participassem, diziam, ‘você não mora aqui’.

O povo do Residencial Jardim São Carlos reclamava da falta de atividades no local, para não terem que se deslocar até o Alfenas, apesar da pouca distância entre os prédios.

Queriam saber por que só no Alfenas tinha atividades”, confirma Rose Cris.




O “problema” está sendo resolvido. “É muita gente, apesar de tão pouco espaço. No Residencial São Carlos não existia nada, mas já começamos com dança de rua, voleibol, hip-hop, funk.

Fizemos um novo cronograma para que todas atividades que já existem aqui, no Alfenas, além das novas, serem divididas entre os dois condomínios”.









Bazar Projeto Estrelinha
Criatividade para envolver a comunidade dos residenciais é tudo, quando se tem disposição para mudar cenários, como antes do início das atividades do Cidade Escola. 

“Criamos um projeto chamado Estrelinha. Reunimos os representantes dos moradores do Residencial Alfenas e fizemos o projeto, em execução há 3 meses. 

Víamos os moradores jogando muito material reciclável no lixo. 

Decidimos pegar e juntar esse material para o condomínio. Bolamos isso pensando nas crianças. 

Quando elas participam da atividade, ganham uma estrelinha por participação e bom comportamento. 





Brinquedos e produtos do Bazar Estrelinha
Se trouxerem material recicláveis de suas casas, ganham duas estrelinhas.

No primeiro sábado do mês, organizamos um bazar comunitário, para as crianças que juntaram estrelinhas.

Do material que juntamos, parte vai para a atividade do artesanato e, a outra, revendemos bruto. 10% do que for vendido é para comprar brinquedos para as crianças do bazar. O restante para melhorias do condomínio, pequenas reformas, trocar fechaduras, por exemplo.

Está dando muito resultado, porque crianças e moradores estão participando, deixando material reciclável separado para essa utilização”.




Cinema nos residenciais
É o tempo todo assim, criando alternativas e novos caminhos de convívio e aprendizado.

A parceria com a empresa Urbis, responsável do agente financeiro dos condomínios, propiciou uma sessão de cinema exclusiva para os moradores dos prédios.

Foi um sucesso, lotação completa do salão comunitário.








Entrega de alimentos, na inauguração do
Programa "Trigo Feliz"
Outras ações também foram feitas, como a do projeto Trigo Feliz, que instituiu o cadastramento das famílias interessadas em se responsabilizar, voluntariamente, pelo preparo das refeições oferecidas nas oficinas do Cidade Escola nos condomínios.

Em contrapartida, as famílias receberam da Prefeitura produtos como o trigo, ovos, leite, verduras, botijão de gás, e a capacitação de nutricionistas.






Outra atividade, recém incorporada ao programa Cidade Escola, é o da Educação Ambiental. E o núcleo de estreia é justamente nos residenciais Alfenas e São Carlos.

Duas integradoras do programa, Jéssica e Aline, estudantes de Biologia da Unifal, já começaram a organizar o cadastro de moradores.

“Elas irão trabalhar questões de prevenção de saúde, educação sobre o meio em que os moradores vivem. Começarão com um trabalho de prevenção com as crianças contra o piolho. É um trabalho de prevenção, com vários temas, higiene pessoal, uso de camisinhas, doenças sexualmente transmissíveis. É um trabalho muito importante o da prevenção, porque, aqui, nos condomínios, existem muitas jovens grávidas, na faixa de 14 a 16 anos. Também teremos com essas integradoras, passeios monitorados ao zoológico, por exemplo”, confirma Rose Cris.




Com a nova rotina de atividades do Cidade Escola, alguma mudança de fato teria acontecido?

“Melhorou demais o comportamento das crianças.

Antes, eram muito rebeldes, jogavam bombinhas para atentar os outros moradores. Faziam muita bagunça, agora, não, é tudo quieto no salão comunitário, estão muito mais tranquilos, concentrados nas atividades.

Muitas crianças também não tinham motivação para ir à escola. 



Cobro muito deles isso, caso contrário, não participam das atividades.

Estão aprendendo a conviver em grupo. Também havia muitos jovens fora da escola e que voltaram a estudar, por conta das conversas que temos com eles.

Começamos a dialogar mais, entrar no mundo deles, falando da forma deles”.







Dona Maria e crianças na atividade artesanato
E para quem pensa que só crianças e jovens se beneficiam das atividades realizadas pelo Cidade Escola, engana-se. Adultos e idosos também começam a ter suas vidas transformadas.

No Residencial Alfenas, a vida de Dona Maria, 63 anos, a mais idosa entre todos os participantes, é o exemplo mais clássico dessas mudanças.

“Ela faz artesanato, tinha depressão, não saía de casa para nada. Vem sozinha, é cadeirante.

Estava ficando muito doente, só tomando remédios.

Um dia, convidei-a para participar da atividade de artesanato. Veio, conheceu e gostou. 



Rose Cris e Dona Maria, em seu apartamento
no Residencial Alfenas.

Um dia, chegou em mim e disse: ‘Rose, agradeço muito a você. Parou minha depressão, parei de tomar remédios. Estou bem, não vejo a hora de chegar outro dia para fazer atividade. Quando não tem, sinto falta’.

Ela também gosta muito de bordar. Para não ficar sozinha, em casa, no tempo em que não está conosco, na atividade, arrumamos diversos panos de prato, doação de linhas, para ela ter esse tempo produtiva em sua casa.

Dona Maria é uma senhora muito especial”.



E bota “especial” nisso. Uma vida onde a limitação física nunca foi barreira para ela.

No pequeno apartamento do Residencial Alfenas, guarda com carinho e orgulho todos os objetos que ela mesma produziu nas aulas de artesanato do Cidade Escola.

“Tive paralisia desde que nasci. Fui diagnosticada com paralisia espástica.

Quando era criança, até os 7 anos, andava para todo canto, estudava no bairro dos Rochas. Ia e voltava a pé de casa para a escola.



Minha mãe era costureira, meu pai, lavrador. Mesmo com minhas limitações, ajudava o pai apanhar arroz. E

m casa, éramos em cinco irmãos, todos com alguma deficiência, visual ou paralisia. A partir dos 7, comecei a perder mais os movimentos do corpo.

Sempre andei de muletas, mas de alguns anos para cá, passei a andar de cadeira de rodas.

Vou de muletas até o salão de atividades do Cidade Escola, porque não consigo mais andar nem mesmo pelas ruas do condomínio”.




Limitações, para Dona Maria, nunca existiram.

“Minha deficiência nunca me atrapalhou para fazer nada. Fui casada durante 14 anos. Tenho um casal de filhos.

Vivo sozinha desde agosto de 2017. Minha filha morou 2 anos e meio comigo.

Sou viúva há 3 anos e 6 meses, ele morreu de infarto.

Caiu, quebrou a perna, fez cirurgia, ficou na cama. E eu com essa dificuldade para andar. Foi um período complicado. As irmãs dele vinham para dar banho nele, porque eu não tinha condições, mas fiquei com a parte da comida e dos remédios”.




Dona Maria foi uma das primeiras moradoras do Residencial Alfenas, há cinco anos, quando o conjunto de prédios foi entregue aos moradores. Seu exemplo de vida ilustra bem as dificuldades enfrentadas por pessoas que moram nos diversos conjuntos residenciais populares de Alfenas e todo o país.

Cuidado e atenção são “remédios” muito mais baratos dos que os gastos feitos por muitos administradores públicos em setores da sociedade que não buscam a qualidade de vida das pessoas.

“Ainda tomo muitos remédios, mas os de depressão que os médicos ainda receitam, já disse a eles que não tomo mais. Digo que podem dar, mas, não tomo mais. Meu remédio, agora, é o salão de atividades, onde faço meus artesanatos. Me sinto uma nova pessoa”.




E assim, nos conjuntos residenciais populares ou em qualquer canto da cidade, o Cidade Escola continuará com o olhar prioritário do programa: as pessoas!

Em breve, mais um condomínio residencial popular será inaugurado na cidade, no bairro Jardim São Paulo. Mais 300 unidades para aqueles que não tem condições de terem o que seria obrigatório, uma casa para viver.

Mas, não serão apenas prédios. Serão famílias que terão direito e acesso ao viver.






















































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