sexta-feira, 6 de abril de 2018

Adeus, Índio Cachoeira



A segunda reportagem prevista para o blog do Cidade Escola neste início de 2018 seria sobre um novo projeto educacional que está prestes a se iniciar e batizado de “Escola da Vida”. Mas, tudo mudou com a tragédia ocorrida com um dos mais ilustres moradores de Alfenas.

Índio Cachoeira, um dos maiores violeiros do planeta, morreu, na quinta-feira, vítima de um acidente com sua bicicleta em uma das ruas da cidade. A notícia chocou a todos. O mais intrigante de tudo é que, na mesma reportagem sobre a vida de Índio Cachoeira, publicada em 2017, há menos de um ano, havia uma explicação sobre o fato de se revelar a vida de um homem, um morador para lá de especial de toda a comunidade alfenense. Está lá, escrito: “Cidade Escola é a Escola da Vida, e da própria cidade, com histórias de seus lugares e sua gente que deve ser conhecida por todos. É criar entre as comunidades o sentimento de pertencimento a algum lugar e à vida”.



E foi exatamente isso que aconteceu na relação Índio Cachoeira e Alfenas. Tornou-se um símbolo, resgate, retorno, para a vida dele, e, alegria, prazer, sentimento entre os que tiveram o privilégio de conhecer, ouvir e ver o velho mestre da viola tocar.

Mas, Índio Cachoeira se foi. A despedida “oficial”, aconteceu hoje pela manhã. Durante seu velório, na Casa de Cultura, o momento marcante da cerimônia foi ouvir uma de suas mais lindas canções sendo tocada pelo músico Felipe Silveira do Conservatório de Música de Alfenas.

Prelúdio dos Pássaros é, talvez, a música mais encantadora deste gênio da viola, da música, de quem sempre teve um jeito todo especial de ser e viver. Feche os olhos, encante-se com o dedilhar de Índio Cachoeira. 


Fechado, recluso, vida sofrida, mas, sempre se reerguendo das “provas” colocadas em seu caminho, Índio Cachoeira conseguia buscar na natureza, mesmo com seu jeito introspectivo, o reencontro com os encantos da vida.
  
Prelúdio significa um sinal de algo que possa acontecer. Então, para que ele saiba, já que se distanciou de nós, por breve momento, que todo seu talento e genialidade não serão esquecidos.



Um gesto simbólico foi feito para isso, assim como já fora feito em vida, quando teve sua imagem gravada para sempre na rampa de acesso do restaurante popular da cidade.

A mesma bicicleta, que tanto pedalou por estas terras, e transportou suas violas artesanais, está imortalizada no mesmo cruzamento de ruas onde se acidentou.





De agora em diante, sua bicicleta continuará a ser vista sempre, como um símbolo de que um grande gênio da música viveu por estas terras seus últimos dias. Pintada toda de branco, a bicicleta representará, sempre, a lembrança de cada acorde dedilhado em suas violas e canções.

















Um pequeno grupo de alfenenses reuniu-se em torno do local da tragédia, como uma forma de inaugurar esse novo marco na cidade. Aos que sempre passarem por aquele pedaço de chão, existirá também outro marco sagrado, além de sua bicicleta.

Borboletas encantam pelo voar, chamam a atenção de quem tem olhos atentos, pelo jeito suave e colorido que expressam. Representam o sentimento de liberdade, metamorfose.



A dor da perda trágica de Índio Cachoeira fez surgir a ideia de que, a partir de agora, toda morte que ocorrer em ruas de Alfenas, como a de Índio Cachoeira, terá pintada uma borboleta no asfalto.

Pedala, toca, alegre o céu, Índio Cachoeira. Junte-se aos deuses da música. Teu talento é impossível de ser alcançado, mas você, como mestre, já inspirou e continuará inspirando muitos outros a descobrir os segredos da criação musical.














Para quem não conhece Índio Cachoeira, como o editor deste blog não conhecia, recomenda-se a leitura do artigo feito quando ele ainda estava entre nós, em carne e osso, porque, Índio Cachoeira será sempre eterno.




































2 comentários:

  1. Um grande amigo, uma saudade que corta o coração, mas com certeza está fazendo uma grande festa no céu. Obrigado e parabéns pela matéria.

    Oliveira Neto

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  2. Gostei do trabalho. Sou estudante de pedagogia, posso participar?

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