segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Cidade Escola: Evoé, muito mais do que teatro


Entre as dezenas de atividades oferecidas pelo programa Cidade Escola à população de Alfenas, existe uma “especial”, pelo que propõe e pelo lugar onde é realizada. Trata-se da Oficina de Teatro Evoé, desenvolvida no Teatro Municipal, um espaço histórico da cidade.

Em 40 anos de vida, jamais o palco do teatro alfenense esteve tão ocupado, em todos os dias da semana e com as portas abertas para toda a comunidade. Nos últimos meses, circulam por esse local histórico uma média semanal de 80 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, só nas oficinas do Teatro Evoé, sem contar o curso de oratória do professor Nivaldo Martins, ensaios e apresentações de peças.


É lindo (e importantíssimo) ir ao teatro, assistir a uma peça, sentado confortavelmente em uma cadeira, porém, ao conhecer o trabalho proposto e desenvolvido nas oficinas do Teatro Evoé, percebe-se que esta atividade do Cidade Escola vai muito além de um espetáculo.

Poucos sairão dali artistas, mas, com certeza, terão uma nova postura de corpo, mente e visão de sociedade, especialmente, de cidadania. Tudo acontece em torno de uma série de exercícios ou atividades realizadas em grupos, no palco, extraídos de várias técnicas de preparação de atores. Os grupos são divididos por faixas etárias, de 6 a 14 anos e de 15 anos em diante. Nada fechado. “O conceito das oficinas é aberto. Se uma criança quiser entrar hoje, ela entra, a porta não fica fechada. Não é necessário fazer matrícula no começo do ano, embora quase todos estão aqui desde o começo. Se alguém descobrir, no meio do ano, que tem essa oficina, entra. Nós não voltamos para esse aluno que entra no caminho. Ele vai assimilar o que está acontecendo e se adaptando”.


Anselmo Cesário, em atividade da Oficina de Teatro Evoé
A afirmação é de Anselmo Cesário, diretor do Teatro Municipal, coordenador do Cidade Escola e da Oficina de Teatro Evoé. Anselmo “respira” teatro 24 horas por dia, mas não apenas com a visão de formar atores. Pelo contrário. É formado em História, fez especialização, MBA, em Planejamento e Gestão Estratégica, Gestão e Organização da Escola, além de ser tutor, há 7 anos, no curso de Pedagogia, na Unopar (Universidade Norte do Paraná). Anselmo é uma pessoa preocupada com o ser humano. Teatro sempre foi sua paixão. Dos seus 36 anos de vida, metade foi dedicada ao teatro, como ator e diretor teatral, um dos mais experientes e respeitados em Alfenas. 


Parece impossível, mas mesmo trabalhando grupos de crianças e jovens que, na grande maioria, nunca foram a um teatro, ele conseguiu, em pouquíssimo tempo, fazer com que tomassem contato com alguns nomes importantes como Augusto Boal (criador do Teatro do Oprimido, metodologia que utiliza o teatro como ferramenta de trabalho político, social, ético e estético, contribuindo para a transformação social), Viola Spolin (diretora norte-americana, considerada a avó do teatro improvisacional, explorando as relações entre o ato da experiência e a metodologia de improvisação dos jogos teatrais), Stanislávski (um dos mais influentes pensadores teatrais do século XX, seu “método” de preparação de atores e criação de personagens representou uma verdadeira revolução no fazer teatral ocidental), Grotowsky (criador do Teatro Pobre, um teatro praticamente sem vestimentas, baseado no trabalho psicofísico do ator) ou Brecht (criador do teatro épico antiaristotélico, sua obra fugia dos interesses da elite dominante, procurando esclarecer as questões sociais de sua época), todos, nomes consagrados de várias escolas do teatro mundial.  


 Assim, a ideia é transmitir um pouco de cada escola teatral na Oficina de Teatro Evoé. “Enfocamos bastante o aspecto físico, a questão da concentração, respiração. Trabalho com dois métodos, costumo misturar Viola Spolin, que é o teatro-educação, e o Teatro do Oprimido, que é do Augusto Boal. Dentro desse espaço, trabalhamos também com outros conceitos. E vamos misturando. Sem eles saberem, estão ‘consumindo’ tudo isso, todos esses saberes, essas escolas de teatro do mundo”, afirma Anselmo.


E que exercícios são esses, afinal, que mexem com criatividade, concentração, comportamento e autoestima? “No exercício das cadeiras, por exemplo, se formarmos um grupo com três crianças, colocamos quatro cadeiras, uma do lado da outra, no palco. As três crianças têm de ficar em pé, em cima das cadeiras. A primeira, sem tirar os pés do lugar, tem que pegar a cadeira vazia e passar para o companheiro em pé, ao lado, e assim, sucessivamente, até dar uma volta inteira no palco”, explica o coordenador Anselmo.

Parece fácil, não é mesmo? Mas não para todos. “Para nós, adultos, é superfácil, mas para uma criança é bem mais difícil. Ela trabalhou a parte física, a parte de concentração, porque precisa concentrar. Olhando de fora, parece muito simples. Só que você está num espaço de desequilíbrio quando está em cima de uma cadeira. Também vou exercendo uma certa pressão durante o exercício: ‘dez segundos, gente, vamos lá’, que é para aprenderem a trabalhar sob pressão”.


Em outra atividade, que faz parte da mesma oficina, começam a surgir respostas diferentes das habituais. A ideia é incentivar o jovem a desenvolver opinião. “No final das oficinas, fazemos as ‘considerações finais’, cada um fala sobre o que sentiu ou observou. Temos um método de ‘cortar palavras repetidas’. Não pode responder, apenas, ‘gostei’, ‘adorei’, ‘legal’, que é o vocabulário utilizado por eles. E assim começam a formular respostas. Quando digo que é ‘legal’ é porque não quero dizer mais nada, encerrar o assunto, ou seja, eles começam a criar repertório para emitir opinião”, garante Anselmo.



Certo dia, uma dessas considerações finais, após o exercício das cadeiras, surpreendeu o coordenador Anselmo. “Temos uma criança pequena, mimadinha (como todas são) que teve muita dificuldade de fazer o exercício. No final, ela disse em seu depoimento ao restante da turma: ‘Quero agradecer a fulano, sicrano e beltrano, por terem me ajudado na atividade’. Disse isso depois para a mãe dela e ela não acreditou, pois não tinha esse hábito em casa. Uma atividade aparentemente simples, mas que ela teve dificuldade e precisou das outras. Isso é educação. E não precisamos ensinar nada a ela, muito menos dizer que precisava agradecer aos amigos que a ajudaram”.


Outro exercício que parece simples é o da “espada de pau”. De frente para o grupo, o coordenador da atividade simula os movimentos de uma espada imaginária, para a direita e para a esquerda, como se estivesse na altura do pescoço da pessoa. A cada movimento, o grupo deve se deslocar para a direção que ela aponta. “Parece uma coisa muito simples, mas você está desconfigurando o teu cérebro, porque a tendência, quando o grupo está de frente para a espada é acompanhar o mesmo sentido dela, quando, na verdade, deveriam ir no sentido contrário. Em vários momentos, acaba virando uma bagunça, com vários indo para um lado e vários para outro. Parece uma bobagem, mas os adultos ficam exaustos, porque trabalha a parte de concentração”.

Com base nesses exercícios aparentemente simples como estes é que os alunos da Oficina Teatro Evoé acabam entendendo a parte prática do teatro. “Quando se está no meio de uma peça, é uma ‘muvuca’, coisas dando errado, lá atrás das cortinas, coisas na frente não funcionando, luz e som que não saem na hora, e o ator precisando manter a concentração com isso tudo não funcionando para manter a qualidade do que está fazendo no palco”.


E assim, sutilmente, de conversa a conversa, aplica-se algo tão comum e que falta tanto para as pessoas no dia a dia: concentração. “Sobre esse desconcentramento no caos, costumo dizer a eles que ninguém é responsável pela sua concentração, só você. Tendemos sempre a jogar a culpa no outro. Não fiz uma boa prova porque a sala estava bagunçada. Não li meu livro, porque o vizinho estava fazendo festa. Se nos concentrarmos, e tivermos esse instrumento de concentração, não precisaremos do silêncio total. Se disser, aqui, ‘eu sou o centro do universo’, acaba, porque você é responsável pela sua concentração”.



Crianças preparando esquete na Oficina de Teatro Evoé
A Oficina de Teatro Evoé é lugar para interação, liberdade de expressão e criação. Apesar de Anselmo garantir que utiliza pouco a técnica de esquetes (pequena peça ou cena dramática) nos grupos, os resultados alcançados surgem rapidamente. “Hoje, por exemplo, com várias crianças pequenas, pedi para que cada grupo escrevesse uma frase, num pedaço de papel, e, sem eles saberem, na sequência, troquei entre eles. Um grupo tinha que fazer um esquete com a frase do outro. Saíram frases como: ‘Fui ao banheiro’, ‘A cortina preta me assusta’, ‘Estava sentado no banco’, a diversidade de temas é sinal de que o grupo já não está muito com o pensamento uniforme, não existe mais aquele senso comum”.


Relaxamento no final das atividades da Oficina
A criatividade não vem do nada. “Depende de algumas coisas. Primeiro deixamos eles com o corpo e mente livres. Encerramos, sempre, após o agito todo da oficina, com todos deitados, ouvindo vários tipos de música para relaxar, até da cultura indígena. Não é um relaxamento qualquer, existe uma técnica. Todos têm que ficar com os calcanhares juntos, a mão virada para cima. Com os pequenos, claro, o relaxamento pleno é difícil, mas, mesmo nesta fase, começam a perceber que é possível isso, o que a escola tradicional não consegue, ou não tem tempo, e, muito menos, interesse em fazer. É o que as escolas deveriam fazer todos os dias, antes e depois de terminar as aulas”.

É o que garante o coordenador Anselmo, que vai além, na relação teatro e escola. “Aplico muito do conhecimento adquirido com a pedagogia nas oficinas, assim como a oficina me fornece um rico material para utilizar na formação dos futuros (as) pedagogos (as)”.


De que forma? E qual a razão? “Trabalhamos a descontrução física, porque a escola obriga o aluno a ficar no senta e levanta da cadeira, parecendo um robô, levantando a mão para poder falar, não podendo se expressar. Isso tudo acaba transformando os jovens em robôs. Não há resultados científicos, mas o que formata as pessoas é o mapa de sala. Costumo perguntar aos alunos: ‘vocês perceberam que quando vão à igreja se sentam no mesmo lugar, sempre?’. Em casa, acontece a mesma coisa. É a escola que formata esse comportamento. Por que professores fazem mapa de sala? Porque colocam o arteiro e um quietinho, e isso vai privar o quietinho de também fazer alguma arte que o arteiro tem muito mais liberdade. Aqui, na Oficina, misturamos tudo”.

E histórias de superação surgem a cada dia, nas oficinas do Teatro Evoé. “Temos um menino que não queria participar de um grupo, é especial, mas é superdotado. Ele é capaz de dar uma aula de física quântica. Fizemos uma atividade de ‘corda imaginária’, que parecia uma aula de Física, pois tem força, velocidade e outros conceitos. Eu explicava numa linguagem para leigo, e ele começou a intervir, explicando toda a teoria da Física. É muito inteligente, mas, na convivência, não sabe se expressar de maneira simples, prática”.


E a sequência de oficinas do Teatro Evoé acabou mudando por completo o comportamento deste garoto. “Soube por uma professora que a mãe deste menino falou sobre a melhora do filho, que a escola onde estuda chegou a gravá-lo durante a apresentação de um trabalho escolar e enviado o vídeo para a mãe. Ele não tinha condição nem de apresentar trabalho em sala de aula, mesmo sendo tão inteligente. Digo tudo isso porque a professora da escola creditou toda essa melhora ao trabalho desenvolvido no teatro”.

Assim como esse, são inúmeros os casos de superação que o coordenador da Oficina de Teatro Evoé presencia quase que diariamente, o que mostra o quanto é importante essa atividade do Cidade Escola. “O conceito que trabalhamos aqui é o da liberdade. Essa transformação dos jovens é porque começam a se expressar, coisa que a escola, a educação tradicional, não permite. Um menino chegou aqui, tão tímido, com as mãos para trás, cabeça baixa, para falar com a gente. Perguntava a ele: ‘qual o seu nome?’. E ele não respondia. Vi seus olhos lacrimejarem, tamanha era a dificuldade dele se expressar. Ano passado, ele já fez apresentação na praça. Em menos de um ano, já participou também de uma peça no teatro daqui e no de Fama”.


O retorno para quem acompanha essas mudanças é gratificante, como conta Anselmo. “A mãe ficou tão impressionada e grata que fez um agradecimento público, em nossa página no Facebook, falando sobre o quanto o filho tinha mudado, quanto tinha melhorado na escola, e o quanto a família estava feliz, pois estavam muito preocupados com o sofrimento dele por ser tão fechado. Teve dias de ele chorar durante a oficina, a criança fica sensível. Digo a eles que quando estão no palco, estão nus, porque, aqui, não tem como ser personagem, é você. Nas oficinas, acabamos conhecendo todos, muito, intimamente, porque tudo que se coloca ali é sobre a pessoa, principalmente, as crianças. O palco te desnuda, ali você começa a se construir, perceber qual a sua voz real, teu limite, ou não, seus trejeitos”.

Casos como estes fizerem Anselmo descobrir o valor de seu trabalho. “Emociona, porque quem trabalha com arte, sempre se pergunta: ‘para que serve o meu trabalho?’. Um pedreiro, a gente vê a casa, mas, e o meu, para que serve? E quando ouvimos isso de uma mãe, publicamente, é incrível”.


"Vamos virar a esquina porque ninguém virou", no Jd. São Carlos
O trabalho da Oficina de Teatro Evoé não para de dar frutos. Os pequenos, menores do grupo, já se apresentaram em 12 escolas da cidade. Com os adultos não foi diferente. Da preparação e treinamentos feitos nesta atividade do Cidade Escola já surgiram dois grupos que começam a “voar” pelos palcos da cidade. Um é o coletivo “Vamos virar a esquina porque ninguém virou”. “Só pelo nome, percebe-se a criatividade. Fizeram, recentemente, no condomínio Jardim São Carlos, um espetáculo, ‘O cavaleiro branco, do cavalo preto e branco’, sem a necessidade de figurino, cenário, luz. Criaram um espetáculo só com a criatividade, sem ficar reclamando da falta de recursos. Já foram convidados para participar de um Festival, na cidade de São Lourenço. Começaram a ganhar ‘asas próprias’”, diz com orgulho, Anselmo. O outro grupo saído das oficinas do Teatro Evoé é o Quimera. Nos dias 18, 19 e 20 de agosto, estrearam no Teatro Municipal a peça “O Casarão”.


Anselmo Cesário,
na peça "Cortiço Madame Suhja"
Anselmo tem razões de sobra para estar orgulhoso com o trabalho desenvolvido pelas oficinas do Teatro Evoé, afinal, sentiu na pele durante toda sua trajetória, como ator e diretor de grupo teatral, todas as dificuldades e restrições impostas para quem sonha com os palcos. “Meu primeiro curso de teatro, aqui, era quase impossível de se pagar, um salário mínimo para 10 horas de curso. Mas foi decisivo, porque minha mãe chegou e me perguntou: ‘você quer fazer? Vai’. Era caro demais, o salário mínimo era 120 reais e o curso em 10 horas também. Mas essa resposta dela foi definitiva para mim. Ela não questionou se era caro, que seria bobagem gastar tanto dinheiro com isso”.

O sonho de viver do teatro, contudo, começou antes de virar realidade. “Uma coisa que falo com orgulho e ninguém vai contar na história é que o teatro em Alfenas sempre foi de elite. Só comecei a fazer teatro com 18 anos, porque era muito fechado. Lembro de um dia, quando tinha 14 anos e passei na frente do teatro, de ônibus. Olhei para ele e disse para mim mesmo que um dia iria me apresentar ali”.


A afirmação de Anselmo sobre o histórico elitista do teatro alfenense não é baseada em achismo. Como diretor do Teatro Municipal, pesquisou a fundo, incluindo visitas ao Arquivo Público, para conhecer e entender sua origem e evolução. “Foi inaugurado em 1977 e criado para as peças do Waldir de Luna, um dramaturgo, que tinha seus textos sempre interpretados por um grupo de teatro bem forte na cidade chamado TAC, Teatro Alfenense de Comédia. Eram só eles, a elite. O palco do teatro era todo pintado de branco, as portas azuis, janelinhas pintadas na parede, ou seja, era uma fazenda, e de gente rica, um teatro monotemático, todos os conflitos aconteciam em uma sala. Só depois da primeira reforma que esse cenário foi retirado, pintaram de preto, aumentaram o proscênio”.


Souza Filho e Raul Pichitelli, do Grupo Guarani.
Mas Anselmo também encontrou em suas pesquisas a importância de outros nomes nas origens do Teatro Municipal. “Existiam grupos como o Guarani, do Souza Filho, e o Raul Pichitelli, além de outras pessoas. Se os dois hoje são nomes conhecidos na TV local é por conta deste trabalho deles no teatro. Souza Filho tinha um trabalho interessante, com um teatro itinerante, ia para os bairros, transformando um caminhão em palco. Tem que se fazer justiça a eles, o teatro deles era muito popular, bem-feito, roteiros bons, com a preocupação de trazer mais gente, não ficar só preso ao palco do teatro”.




Cine Alfemas, também utilizado para peças teatrais
Antes da construção do Teatro Municipal, em 1977, o teatro alfenense era apresentado em vários espaços. 

“Tinha o antigo Centro Católico, que fica na avenida São José. Existia um palco, ali, bem pequeno, mas bem arrumadinho. 

Teve também o Cine Alfenas, que também era utilizado para se fazer teatro. 

Mas o mais interessante é que Alfenas teve um teatro ‘particular’, da família Lomonte”.


A partir do ano 2000, Anselmo começou o seu  longo percurso na história do teatro alfenense, sempre com o objetivo de “misturar tudo, gente de todas as classes, idades”. São inúmeros projetos, como “Histórias e Estórias do Brasil”, “Prazer em conhecê-lo” (teatro itinerante), “pãofogehomemmigracadêlei” (em parceria com a Unifal), “Cortiço Madame Suhja”, “Cara... vela”, “A terra desencantada do Bu” e várias outras.

Com seu grupo chamado Mundo, Anselmo levou Alfenas para terras distantes, Moçambique, na África, quando apresentou a peça “Cara...vela”. 

A peça fala do tráfico negreiro, mas como se os escravizados estivessem fazendo o trajeto de volta à África.








Apresentação de "Cara...vela", no presídio de Alfenas
Foi em uma exibição desta peça, aqui, em Alfenas, em um lugar incomum, que Anselmo teve a certeza de uma das coisas que considera mais importante no teatro, na vida, e que também é um princípio integrador do programa Cidade Escola: não subestimar as pessoas. “Meu grupo de teatro já se apresentou duas vezes no presídio, sem ter grades para nos separar. Isso é raro. Eram 300 presos, no pátio, se apresentando com duas meninas, com roupas, que para esse pessoal do presídio, era sensual, e nós não subestimamos. Não chegamos lá, pensando em fazer uma ‘peça para o presídio’. Quando apresentamos ‘Cara...vela’, foi decretada trégua, sabe o que é isso? Trégua representa todos eles juntos. É uma coisa que nos deixou profundamente tocados, separou um sistema inteiro de agressões”.


E assim, no palco do Teatro Municipal, pelas ruas, escolas e onde houver espaço para a reflexão e integração, Anselmo levará os frutos que a atividade do Cidade Escola tem conquistado até agora com a Oficina de Teatro Evoé. 

É como ele define: “a arte tem que servir as pessoas”.
































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