terça-feira, 2 de maio de 2017

Cidade Escola: Sarau Ambiental


No domingo, dia 30 de abril, Alfenas teve pela primeira vez em sua história a realização de um Sarau Ambiental. Mas o que é um sarau? Antes de mostrar o que foi o evento, é importante entender o significado de sarau para compreender em que contexto ele foi realizado por estas terras.

Saraus existem há séculos e, no Brasil, chegaram com a família real, nos anos 1800. Bem diferentes dos saraus modernos, naqueles tempos, eles eram movidos pelo requinte, soberba e erudição.

Com o passar dos tempos, o sarau tornou-se um evento cultural ou musical, realizado em todo tipo de lugar: escolas, casas particulares, associações, teatros, ruas, enfim, qualquer espaço em que artistas, ou não, possam manifestar sua arte.

Em Alfenas, o primeiro Sarau Ambiental trouxe em sua realização os princípios básicos do Cidade Escola, e, por esta razão é que o programa fez parte do evento.

O Sarau Ambiental aconteceu no cruzamento da Avenida Machado de Assis com a Rua Antônio Bruzadelli. Quem viu o lugar no dia do evento, não imaginaria que poucos dias antes o espaço estava tomado pelo mato.



Local do 1º Sarau Ambiental, antes do evento.

O sentimento de pertencimento, premissa do Cidade Escola, acabou levando o idealizador do sarau, e representante da Superintendência de Cultura da cidade, Guilherme Abraão, a agir. “Passava todos os dias por esse caminho, porque moro próximo daqui, e todo dia via o mato alto, mais de um metro de altura. Esse lugar é nosso, da comunidade, algo precisava ser feito”.





Mas por que então “ambiental”? Porque além de recuperar o local, todo degradado e abandonado, com a plantação de árvores, foram realizadas ações paralelas como apresentações musicais, crianças pintando desenhos com temáticas ambientais, grafite e barraca de prevenção contra a dengue.

Ao longo do evento, foram plantadas árvores de diversas espécies como pau-brasil, ipê, manacá, árvores de plantio urbano.



O toque artístico no local ficou por conta do grafite, feito nas muretas do Córrego do Pântano e em 25 tambores de ferro doados, que, posteriormente, serão utilizados como lixeiras nos eventos promovidos pela Prefeitura. 

Os grafites foram feitos pelos meninos de Santa Rita do Sapucaí. Eles são conhecidos nacionalmente. 



Diego Das e equipe

O Diego Das tem uma casa de arte chamada “Das Artes”, em Santa Rita, dá aulas de grafite, estêncil. Dentro das oficinas deles, trabalharam essas questões ambientais para trazer para cá. Os recortes em estêncil, com borboletas, folhas, foram frutos dessa semana de estudos e pesquisas”, explica Guilherme Abraão.








Outro princípio integrador do Cidade Escola, o da convivência, foi visto na participação das crianças e pais, durante o piquenique realizado na praça revitalizada. “O que propomos no Cidade Escola é a convivência com troca de aprendizado, no restante do tempo da educação formal. Não é um projeto da Educação. É um projeto da cidade, que ensina, aprende e respeita. Nosso lema é: ‘Escola da Vida’. E escola no sentido de ensinar e aprender. E não apenas da formalidade intramuros com regras e compromissos”, afirma o prefeito Luizinho.


Muitos saraus ambientais ainda serão realizados em Alfenas. Muitos espaços verdes, revitalizados. Muitas árvores serão plantadas. O que fica desta primeira experiência pode ser ratificado nas palavras do poeta gaúcho Mário Quinta. Nesses tempos de céus de cinzas e chumbos, nós precisamos de árvores desesperadamente verdes”. Ou então, nas do ativista político norte-americano Martin Luther King Jr. “Se soubesse que o mundo se acabaria amanhã, eu ainda hoje plantaria uma árvore”.




















Guilherme Abraão, idealizador do 1º Sarau Ambiental

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