quarta-feira, 22 de março de 2017

Cidade Escola: Luizinho e as origens do programa


O programa Cidade Escola não foi “inventado” ou criado por ninguém, ele está no DNA há 7 milhões de anos. Mas como, então, Alfenas começou a se apropriar de práticas tão antigas? Neste papo com o prefeito Luizinho ele faz uma viagem no tempo, pela própria vida e pelas experiências pessoais e da humanidade, até chegar na teoria, na prática e nos resultados alcançados até agora pelo programa. Veja os principais pontos da conversa com o prefeito.

Embrião de ideias 
até chegar ao Cidade Escola

“O que me levou a pensar o Cidade Escola é o sentimento de não ter domínio, da vida não ser controlada. Tudo na vida tem um controle. Tem hora para trabalhar, dormir, almoçar. Isso não é natural. O controle da espécie humana não é natural. Não teve nada específico na criação do Cidade Escola. É o sentimento da liberdade, sempre fui uma pessoa rebelde, de não aceitar o controle. Você pensa de acordo com as coisas que você faz. Isso vem desde dos tempos da universidade, quando era do movimento social, na luta contra o trabalho escravo, ou seja, estávamos rompendo as barreiras da conformidade.

No mundo atual, todo mundo se conforma. A mãe tem que falar para o filho que ele tem que vencer na vida. O patrão fala que você tem que ter um horário. Se você viver nesse mundo, você vai pensar dentro deste mundo. As coisas serão criadas nos estritos limites da conformidade. O Cidade Escola é uma ideia de alguém que pensa fora do mundo das conformidades, das regras, das normas. A norma não é boa. Ordem não é uma coisa boa.

Não existe guerra por falta de ordem. A guerra acontece por conta da ordem. Quando Hitler fez a guerra foi por conta de uma ordem estabelecida. Ele estabeleceu uma ordem: ‘vou construir um império, que vai durar mil anos’. Quer ordem mais perfeita que essa? Tinha regra, tinha tudo certinho, formação, exército, propaganda, esporte, tudo bem regrado. Então, a ordem é que provoca a guerra, não é a desordem. Veja a Índia, por exemplo, as coisas lá são meio desordenadas, mas não tem guerra. Então, a ordem não provoca coisa boa. O progresso também não provoca vida, provoca exploração. Por que você tem que progredir? A sociedade tem que progredir ou ela tem que viver?”

Um jovem questionador

“Comecei a trabalhar com 13 anos. Sempre lembro do meu pai, que trabalhava numa companhia de asfalto e sofria muito. Sempre dizia a ele para parar com esse trabalho, mas ele não reclamava. A mãe trabalhava muito para sustentar os filhos. Trabalhei na Cooperativa de Guaxupé (Cooxupé). Chamava-se SOS, um serviço de assistência social, um ‘trem’ para explorar crianças. Colocavam você para ganhar meio salário mínimo e ainda era humilhado, porque quem era do SOS tinha que usar um uniforme. A pessoa mandava em você. Aquilo era muito humilhante, muito constrangedor. Você não podia nem sentar no banco do ônibus, tinha que dar o lugar para os outros. Era um empregado de todo mundo. Aquilo me incomodava. E tinha um rapaz, que se chamava João e trabalhava na contabilidade da cooperativa. E ele era muito rebelde, já questionava as coisas.

Foi aí que também comecei a questionar tudo. Trabalhei muito. Chegava antes do ônibus, ia de bicicleta, para chegar mais cedo para trabalhar. Morava em Guaxupé. Meu pai foi para lá porque a companhia de asfalto tinha trabalho por lá. Morávamos em uma casa popular, de 30 metros quadrados, seis filhos, muito pobre. Meu irmão também trabalhava lá, estava bem, mas, não é porque ele estava bem que eu iria depender dele. Queria viver sozinho. Trabalhei, trabalhei e quando mostrei serviço, arrumei os arquivos da contabilidade, ajeitei tudo e fui pedir aumento para o chefe. E a resposta foi que a cooperativa não tinha condição de dar um aumento. Argumentei que estava há dois anos trabalhando certinho e então por que não podiam me registrar? Não era nem dar aumento, era para ser funcionário da Cooxupé, porque a cooperativa terceirizava o setor onde trabalhava. Disse a eles que nunca mais voltaria ali. E nunca mais voltei mesmo. Minha mãe, de novo, argumentou que meu irmão estava bem lá, mas não me convenceu. Não fui, queria ter a carteira registrada. Saí de lá e logo mudamos para Alfenas. Fui emancipado aos 16 anos para poder ter o próprio negócio. Montei uma farmácia. Comprei fiado os balcões. E a farmácia começou a dar certo, no Jardim São Carlos. Fui sócio do Fransecio durante 20 anos. Ganhei muito dinheiro ali, mas também gastei tudo. Não guardei um real. Fransecio ficou bem com a farmácia. E eu fui mexer com política”.

O início na política

“Comecei na política trabalhando nas comunidades de base da igreja, com 16 anos. Conheci o Marcelo Pedreira, dentista, quando fui colocar aparelho nos dentes. Marcelo era da igreja e começou a me dizer que precisávamos conversar. Ele era da ala “esquerda” da igreja. E comecei a ir nas comunidades, era a época da “fé e política”. Depois, entrei no Movimento Nacional dos Direitos Humanos. Fui muito atuante. O movimento funcionava junto com a CUT [Central Única dos Trabalhadores] e os sindicatos. E lá, tínhamos muitas lutas. Acompanhei mais de 4 mil trabalhadores rurais em situação de trabalho escravo. Trabalhadores que chegavam do Norte para apanhar café. Os patrões prometiam mundos e fundos e, quando chegavam aqui, não tinham nem o fundo. Ficavam reféns dos empregadores. Comiam na loja do empregador, compravam na venda dele. Escravo, mesmo, nem similar ou algo parecido.

A entrada na política, então, foi natural. Nesta época, o PT estava começando, e quando entrei para o partido, a comunidade da igreja em que participava decidiu se filiar ao diretório daqui. Filiei o Eliacim (vice-prefeito), filiei o Eloísio (prefeito de Poços, irmão do Eliacim), filiamos quase todos da igreja, e entramos no PT. Aí ganhamos a direção do partido”.

Cidade Escola como modelo de sociedade

“O Cidade Escola surgiu em minha cabeça como um modelo de sociedade diferente. Um modelo que não fique preso às estruturas. Não tem prisão, não tem separação. O que todos dizem querer é que as pessoas não se separem, certo? Mas, na prática, as estruturas são separadas. Tem o Cras, o Creas, as escolas. Tudo é separado. Ninguém quer que o ser humano se separe, não é com isso que sonhamos? Não dizemos que todos têm de se unir? Não é isso? E na prática, o que fazemos? Criamos células para separar as pessoas. Para governar, separamos, com paredes, gabinetes.

Por exemplo: fui à uma reunião numa escola infantil e a briga, lá, era por que achavam que estávamos priorizando outra escola. Ou seja, separação por escola, essa é a minha escola, tenho meu grupo, minha tribo. Depois, falei com o pessoal de um PSF (Posto de Saúde da Família) e a diretora disse a mesma coisa: “esse é o meu PSF”. Aí tem a turma do Cras, tem a turma do Creas. Temos de tirar essas “paredes”. O Cidade Escola permite isso. Integrar a saúde. Claro que existem os grupos de terceira idade, de hipertensão, de diabetes, dos obesos, mas para que isso? No Cidade Escola, podemos misturar todo esse pessoal, dar uma aula de diabetes para todos os outros que tem outros tipos de problemas. Não precisamos segregar. A estrutura governamental é segregadora, dentro de pequenas células, prisões, mesmo, cada uma com seu pensamento. Isso divide as pessoas.

Só quebramos os preconceitos se formos sensíveis, não é isso? Só que a sensibilidade do ser humano é exógena (de fora para dentro) e não endógena (de dentro para fora). Para sentir o calor, temos que tocar em algo quente. Para sentirmos o frio, temos que tocar no gelo, caso contrário, o organismo se equilibra. Emocionalmente, também é igual. Temos de provocar a sensibilidade. Mas, se estivermos fechados, cada um na sua escola, cada um no seu quadrado, não há provocação. O Cidade Escola provoca. Porque ele mistura tudo. Tem o menino que é deficiente, o hipertenso, o adulto, jovem, o menino rebelde, que está fora da escola. Isso é misturar, trocar saberes, mas, sobretudo, a provocação da sensibilidade, ou seja, você é provocado para poder ter sensibilidade”.

O jeito de governar

“Prefeito que fica em sua redoma de vidro, seu gabinete, nunca terá sensibilidade. Às vezes, pode se tornar uma pessoa sensível, mas é claro que quando você vê uma mãe chorando, perto do filho porque não tem o que comer, e o filho de 5 ou 6 anos, sem entender nada, olhando para ela com aqueles olhos marejados, isso se torna uma prioridade imediata a ser resolvida. Mas se eu ficar no gabinete e alguém só me contar essa história, não vai sensibilizar a ninguém, porque você não entrou em contato com a realidade.

Por isso o Cidade Escola mistura. Se não misturar, acabamos endurecendo o coração, porque todos vivemos a mesma realidade. Se colocarmos num hospital, só doentes, aquelas pessoas vão se acostumando com aquele ambiente, e deixando de se sensibilizar e se insurgir contra aquela realidade. Se fizermos um manicômio, deixando os loucos só com os loucos, todo mundo que ali trabalha vai se acostumar com aquilo. Mas, se misturarmos essas pessoas, dentro da sociedade, que é o que o Cidade Escola faz, colocando, por exemplo, pessoas que não tem saúde mental, no meio da educação, a sociedade vendo aquilo ali, se sensibiliza. Ela não vai se acostumar com aquela realidade, porque ela não vive só aquela realidade. Por isso não podemos nos acostumar com as coisas, com a dor, por isso tem que misturar, ter gente que não conviva com tudo isso no dia a dia”.

Os resultados iniciais do Cidade Escola

“A avaliação do Cidade Escola nestes dois meses é positiva. Fizemos uma pesquisa recente e eu achava, sinceramente, que as pessoas ainda não conheceriam o programa. Mas pela pesquisa de opinião pública, 33% da cidade conhece o Cidade Escola. Pelo menos, ouviu falar. Dos 33% que conhecem, mais de 80% aprovam. Esses números me surpreenderam. É um dado científico. O que espero, num segundo passo, é uma maior participação dos integradores culturais, que são gente da sociedade se misturando ao povo. Esse é o ingrediente que falta. Não se pode ter uma coisa só estatal. A vida estatal é chata. O bom da vida, é a vida natural. Porque temos de mudar as vidas das pessoas? Às vezes, as pessoas não querem mudar. Nem sempre a escola formal é necessária para as pessoas viverem bem. Só a escola formal não garante que você vai se dar bem ou melhorar sua qualidade de vida. Depende o que é qualidade de vida para você.

Muitas vezes, as pessoas dizem para elas mesmas que não conseguem aprender matemática ou português. E daí? Será que elas precisam disso para viver? Ou precisamos conhecer o bairro? Precisamos de outros valores, como solidariedade, vida, participação. Então, isso tudo os integradores culturais fazem. Por essa razão eles não são educadores, apenas integram essas coisas todas, misturam. Esse integrador, não precisa ter a escolaridade formal, isso é diferente. Não é como Escola Tempo Integral, como o governo desenhou, onde se estuda de manhã e depois tem aulas no contraturno. Geralmente, tem artes, matemática e português. É o mais do mesmo. O Cidade Escola não é o mais do mesmo”.

Show de Saulo Laranjeira, na praça do Pinheirinho.
Os problemas enfrentados até agora

“Os problemas burocráticos e também o da integração. Porque temos uma sociedade formada em outro modelo, que é a questão da ordem. Todo mundo quer colocar regras. Todo mundo quer colocar ordem. As pessoas acham que se tudo estiver certinho, dentro do quadradinho, as coisas funcionam. Funciona assim: vou fazer educação física com 50 alunos, tirar foto, aquela coisa bonita, mas existem 2 mil alunos que fazem a mesma coisa. Eu preciso integrar todos, e não apenas aqueles 50. Não pode ser um programa apenas para “tirar foto’, é preciso integrar 20 mil pessoas nessas atividades. Este é o nosso objetivo.

Outra dificuldade, a burocrática, talvez nem seja tão importante. A dificuldade mesmo é “derrubar as paredes”. Tem que misturar. Se não tomarmos cuidado, daqui a pouco começaremos a ter um formato onde cada um pega o seu grupinho para fazer determinada atividade. A dança faz dança. O karatê faz karatê. Estou de olho, para não deixar voltar ao que era o antigo formato. Há uma tentação muito grande de “separar”. Enquanto queremos integrar, misturar, a sociedade capitalista, ou qualquer sociedade que tenha como princípio o domínio do pensamento, tenta dividir.

A divisão é feita para dominar. Dividir para controlar. A educação formal divide para controlar. Se quiser controlar as crianças, basta dividi-las. Colocá-las em cada sala, com as mesmas idades, com os professores tomando conta. Ou seja, dividindo, controlamos. É mais fácil controlar as massas se estiverem divididas. E o que queremos é o contrário, queremos acabar com as ferramentas de controle da sociedade. E isso não é porque queremos uma sociedade sem ordem. Queremos, sim, uma sociedade organizada, mas equilibrada, harmonizada, que é diferente do “controle”.  Quando controlamos, não dominamos. Quando temos um chefe, que tenta só te dominar e dar ordens, não chegamos a lugar algum. Mas se houver equilíbrio na relação é porque houve o entendimento, um consenso de vida, e as pessoas se harmonizam.

Uma sociedade equilibrada, harmonizada, é o que queremos. Não é o prefeito quem dá ordem. Não sou prefeito que dá ordem. Tento buscar o equilíbrio, e o equilíbrio é conquistado com muito confronto, mesmo. As pessoas vão confrontar suas ideias, mas nesse confronto surge o equilíbrio. O que parece ser o caos, de fato, é o equilíbrio. A ordem que queremos é a do equilíbrio. A ordem imposta, divide, e parece que está tudo bem, mas isso leva, consequentemente, à violência, porque separamos as pessoas, uma não conhece a outra, um tem desconfiança do outro, uma briga com a outra. Leva ao preconceito, às guerras, à falta de felicidade, alegria de viver. Só temos frutos negativos dessa sociedade ordeira. A sociedade de ordem e progresso é a pior sociedade existente. A melhor sociedade é aquela que não tem ordem e muito menos progresso. Pegar o progresso a partir do ponto de vista do que? Você pode progredir na vida pela amizade, por exemplo.

Mas, a definição de progresso, hoje, é a do trabalhador que vence na vida, parecendo que está numa guerra. É o pai querendo que o filho vença na vida, se esquecendo de que para isso ele deixou alguém para trás. Isso não é equilíbrio, isso é o poder do mais forte. Tenho a convicção de que não é essa sociedade que quero para mim e para ninguém. E se eu posso colaborar, é para isso, para termos uma sociedade mais justa. O Cidade Escola traz tudo isso. Ele mistura”.

Cidade Escola não é invenção de ninguém, está no nosso DNA.

“Tenho certeza de que, no futuro, frustrado não estarei com os resultados do Cidade Escola, porque o que já fizemos, demonstra que o caminho está certo. Até porque, isso é científico. O ser humano viveu 7 milhões de anos dessa forma, está em nosso DNA. Não estou inventando a história. Estou pegando o que deu certo. Vivemos caminhantes, desde que descemos das árvores, em pequenos grupos. Isso é história, pequenos grupos de 150 pessoas, caminhando, onde todo mundo se integrava. Não havia organização do trabalho. Todo mundo fazia de tudo, convivia, não havia separação para nada.

A sociedade atual “surgiu” há 10 mil anos, quando começou a separar, a ordenar o trabalho. Surgia o Estado para defender as “coisas”. O Estado instituído, que surgiu na Mesopotâmia, não nasceu para cuidar das pessoas, nasceu para cuidar das sobras. Quando a gente parou, começou a sobrar alimentos, a ter animais domesticados que alguém precisava cuidar. Precisava de alguém para tomar conta dessa sobra de alimentos. Aí surgiu o Estado. Ou seja, o DNA do Estado é para cuidar de “coisas” e não de pessoas. Esse Estado que temos agora é para cuidar de prédios. Estou pensando em um Estado que cuide de pessoas. 

O Estado cuida das coisas e reprime os trabalhadores para não estragar as coisas. Reprime o bandido para ele não roubar uma casa, que é uma “coisa”. Ele reprime para não sujar a praça, fiscaliza para não quebrar, não jogar lixo, tudo do ponto de vista para conservar a cidade “coisa”, a cidade “prédio”. Esse é o objeto principal do Estado. Queremos que o objeto principal do Estado seja cuidar das pessoas. Temos que abrir os prédios para as pessoas conviverem. E não apenas cuidar e proteger patrimônios, que é, infelizmente, hoje, a principal função do Estado.

É isso que estamos contestando. É isso que queremos mudar. Essa é a verdadeira mudança. Mudar as pessoas, e cuidar mesmo, não é cuidar da boca para fora, cuidar, defender com unhas e dentes a vida, o bem-estar, a integração.


A espécie humana não tem controle. 99% do nosso DNA é de liberdade”.









3 comentários:

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  2. Bom, normalmente o problema das teorias são as práticas. Aqui vejo o contrário: A prática me parece estar sendo ótima. Mas discordo da teoria do prefeito. A espécie humana se mantem viva por ter criado a civilização moderna e suas instituições, para o bem ou para o mal.
    Não podemos prescindir delas. Somos a especie dominante porque dominamos a natureza. Dominamos, controlamos, criamos padrões, etc.
    Acredito no programa cidade escola. Mas não dá pra jogar a água suja com o bebê dentro. Um dos grandes feitos do Luizinho foi ter acabado com o manicômio do Bagé. Mas não dá pra ir para outro extremos e acreditar que a cidade vai abraçar os "loucos" de boa vontade junto com o cidade escola. Eles precisam de profissionais, de espaço deles, onde se sintam seguros e confortáveis. Eles precisam que o resto da população seja educada, (num processo que deve ter início no espaço escolar), que a população seja educada a conviver com dos muito diferentes.
    Apesar da escola ser uma instituição do século XVIII, não é possível acabar com ela. Temos que moderniza-lá. Mas é um espaço institucional necessário nesta sociedade.
    Fui no evento do cidade escola, com o Saulo Laranjeira, no Pinheirinho. Junto com meus dois filhos pequenos, havia mais de uma centena de crianças. Todas brincando livremente, e perigosamente, no parque da praça. Um crime contra a infância. Brinquedos quebrados e enferrujados. Velhos. Perigosos
    Curiosamente, das poucas vezes que meus filhos puderam brincar nas Ruas, quando interditada aos carros, vi neles um brilho no olhar ancestral, do poder ser dono do espaço público, tomado pelos carros.
    Em Alfenas, onde fica a infância, a chamada primeira infância, que vai até os seis anos? Por enquanto, somente dentro dos muros da escola, com salas cheias. E com uma disciplina rígida imposta pelo sistema municipal e estadual para possibilitar que dezenas (cerca de vinte e oito) de crianças fiquem quatro horas numa sala. Quietas, passivas.

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