quarta-feira, 8 de março de 2017

Cidade Escola: É bom sonhar

Quinta-feira, 2 de fevereiro, primeiro dia das oficinas do programa Cidade Escola. O ponto de encontro é a quadra de esportes do bairro Chapada. O evento é uma oficina de mobiliário urbano. A proposta é a construção coletiva de uma mesa de picnic, para ser utilizada pela população, em qualquer lugar da cidade.

A expectativa maior, pelo fato de ser a primeira oficina do programa Cidade Escola, é sobre o envolvimento e a participação da comunidade no evento. E antes mesmo das 10 horas, horário programado para seu início, começam a aparecer os primeiros jovens. São apenas seis, Wescley (15 anos), Ana Clara (4 anos), Ygor (9 anos), Wendel (11 anos), Ryan (12 anos) e Isaque (8 anos), mas em pouco tempo esse cenário será bem diferente. Há também os integradores culturais, Rômulo (da própria comunidade da Chapada) e outros três de bairros próximos, Everton “Biloca”, Cleber “Binho” e Áquila “Beiçola”.

Fernanda Tosta, professora de marcenaria do Instituto Tomie Otake e Oficina Lab de São Paulo reúne os jovens e os integradores em torno de uma pequena mesa de trabalho. Explica o que será feito e as ferramentas que serão utilizadas (furadeiras, lixadeiras, óculos de proteção, máscaras, pincéis, tintas, parafusos).

Mãos à obra. Os princípios integradores do programa Cidade Escola começam a surgir. Integradores e educadores não ensinam, orientam e colocam, literalmente, a mão na massa.  Então, os maiores (integradores e a professora Fernanda) começam a serrar as madeiras, conforme o projeto exige. As crianças seguram furadeiras e lixadeiras e começam a dar vida ao projeto da mesa. Mãos que se ajudam, para atingir um objetivo.

Meia hora após o início da oficina, surgem mais jovens para participar. E assim seria, até o fim do dia, completando uma turma de quase 20 pessoas. Se aproximam, timidamente, mas em poucos minutos, já estão integrados ao grupo.

Outro princípio do programa Cidade Escola é visto funcionar. Se você é pai ou mãe, fará sempre três perguntas essenciais sobre a rotina de seus filhos. E a cidade terá sempre que dar essas respostas. “Onde, com quem e o que está fazendo meu filho?”.

A notícia de que estava acontecendo uma atividade do Cidade Escola na quadra da Chapada chegou logo aos ouvidos de outras mães e filhos que moram naquele entorno. Seus filhos também queriam participar. Estavam inquietos, trancados no quintal de casa, por conta do medo das “más influências” das ruas, outros jovens que só aprenderam um caminho: o das drogas.

E assim, a “Cidade” deu segurança e confiança à essas mães, respondendo a elas: “Estarão na quadra da Chapada, com os integradores Romulo, Beiçola, Biloca e Binho, construindo uma mesa de picnic”.

Foi assim que cinco crianças, irmãos e primos, pisaram pela primeira vez na quadra da Chapada.

Foram quase oito horas de convívio intenso entre todos, integradores, educadores e jovens, todos desenvolvendo princípios básicos do Cidade Escola: ensinar, aprender e respeitar.

E se a intenção do Cidade Escola é integrar pessoas da cidade, alunos, aposentados, drogados, gente comum, enfim, todos, literalmente, todos, no tempo certo, na sua necessidade de aprender o que lhe é proposto e ainda se tiver prazer no que aprende, uma personagem em especial no primeiro dia de oficinas encantou a todos. Maria Clara, 4 anos, era a única mulher (com exceção da professora Fernanda) do enorme grupo quando a oficina de mobiliário urbano começou pela manhã. A curiosidade de todos era descobrir por que Clarinha estava ali, qual seu interesse e fascínio pela atividade que seria feita. A mãe, Françoa, explica: “Em casa, conserto tudo que for em madeira e logo que pego o martelo, a Clara fica doida pra participar e me ajudar. Ela adora martelar”. Quando Clara soube da oficina, não pensou duas vezes, pedindo à mãe para participar. Fez de tudo um pouco até o final das atividades da oficina.

Mas, um dos principais princípios integradores do Cidade Escola estava guardado para o intervalo das atividades no almoço, pelo menos para mim, o jornalista responsável por contar esta história. Clarinha, fascinada por tudo que acontecia e via ao seu redor, queria apresentar sua casa, que fica bem próxima à quadra da Chapada. Foram poucos metros de pura sabedoria. Clarinha mostrou o quintal, com um jardim que ela mesmo ajudou a construir com a mãe. Feita a foto, pedi ajuda a Françoa, mãe de Clarinha, para descobrir qual ônibus deveria pegar para chegar em minha casa, no bairro Santa Maria.

Só a informação não bastava. Clarinha e Françoa, gentilmente, caminharam comigo por mais dois quarteirões para apontar onde ficava a parada do ônibus. Após alguns passos, olhei para trás e as duas acenaram com um tchau. E aproveitaram para lembrar: “Volta logo, após o almoço, porque temos de terminar a mesa de picnic”.

E assim o princípio da Escola da Vida, do Cidade Escola, se apresentou. “Ensinar e Aprender”, não apenas na formalidade intramuros das escolas, com regras e compromissos, mas no convívio do prazer, respeito e solidariedade da companhia.












7 comentários:

  1. Cidade escola, dando oportunidades, abrindo caminhos, acreditando no potencial das nossas crianças e nossos jovens.

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  2. Cidade escola,eu confio,eu participo.
    Tem tudo para dar certo.
    Nossa cidade merece. Nossos irmãos tbm.

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    1. Obrigado Rgilene. Já está dando certo. Juntos construiremos uma Alfenas muito melhor. abs

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  3. Parabéns pela iniciativa do blogue André...Cidade escola TD de bom e melhor que podia acontecer em nossas vidas..Só tenho a agradecer por participar desse lindo programa...Binho

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    1. Obrigado, Binho. O blog é de todos nós, da cidade, do Cidade Escola. abs

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  4. Cidade Escola, integrando a comunidade. Isso é ótimo fazendo tarefas super legais e de utilidade prática!

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    1. Obrigado Diva Paiva. E muito há pela frente a ser construído, juntos.

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